Deixe-me Nascer - Celina Borges

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Reflexão sobre Bioética

Diocese de Santo André 07 de Agosto de 2010



Por Pe. Roberto Alves Marangon
Assessor Diocesano da Comissão em Defesa da Vida


Nos últimos anos, o desenvolvimento das novas biotecnologias e os debates em torno de temas como a utilização de células-tronco embrionárias, eutanásia, aborto, anencefalia, cuidados paliativos e humanização hospitalar fizeram com que estudiosos católicos de diversas áreas se reunissem para abordar, a partir de um diálogo franco com a ciência, a problemática emergente.


No Brasil, o debate bioético no âmbito acadêmico iniciou há pouco mais de duas décadas. No final do século passado surgiram sociedades científicas interessadas nos temas envolvendo o início e o fim da vida. Isso favoreceu a difusão da Bioética no âmbito das instituições superiores de ensino e pesquisas. Na Igreja Católica, algumas pastorais, como a da criança, e a da família, sentiram-se diretamente afetadas por questões envolvendo o desrespeito à vida humana. Neste sentido, foi valiosa a contribuição destas pastorais e de movimentos eclesiais reconhecidos pela defesa da dignidade da pessoa humana.

A Bioética surgiu como uma esperança, dentro da sociedade moderna, capaz de harmonizar as conquistas científicas e tecnológicas mais recentes com o respeito pelos valores fundamentais do ser humano. Na raiz de todos os documentos da Igreja que tratam de temas bioéticos está sempre o amor à pessoa humana, assim como o apelo à proteção dos direitos da mulher, da pessoa concebida e em gestação, daqueles que sofrem com alguma doença, dos pacientes terminais, das pessoas com deficiências, ou seja, de todo o ser humano em quaisquer circunstâncias. Para a Igreja, toda vida humana tem um valor fundamental igual. Toda vida humana possuiu a mesma dignidade. Deste modo, toda a vida humana se faz credora da mesma proteção. Por isso, a discriminação é considerada incoerente e desumana.

Com espírito aberto e ecumênico, juntamente com setores cada vez mais amplos da sociedade e dos vários campos do saber, a Igreja manifesta a consciência de que para enfrentar os atuais desafios impõe-se um amplo e profundo diálogo, no qual os vários saberes passem a interagir com maior intensidade, sem, no entanto perderem sua especificidade. Preservar a identidade, ou seja, a razão de ser de cada área do conhecimento, é condição para que a verdade possa emergir com mais autenticidade. Certamente, a Igreja apresenta alguns diferenciais indispensáveis para que sejam encontrados os caminhos para a verdadeira solução dos problemas que ameaçam a dignidade do ser humano.


A partir de seu patrimônio provindo da revelação e da sua longa caminhada histórica, a Igreja aprendeu a discernir entre ilusões e realidade, entre vãs expectativas e fundadas esperanças de uma nova maneira de ser e de viver, através da qual tudo e todos encontrem seu lugar. Apesar da infinidade de forças contrastantes, que mais acenam para o caos do que para o cosmos, a esperança mantém-se de pé, na certeza de um novo céu e de uma nova terra, frutos da vitória do Ressuscitado e da ação de seu Espírito no mundo.

- Bioética – Momento Histórico – Cultural

Uma sociedade materialmente evoluída, científica e tecnologicamente desenvolvida não equivale necessariamente a uma sociedade humanamente desenvolvida.

A Bioética, considerada como uma ponte entre a cultura científica e a cultura humanística, necessita da luz da Igreja, irradiada por seus documentos. A Igreja Católica, no meio desse mundo científica e tecnologicamente desenvolvido, mantém o esplendor da verdade integral sobre a pessoa e sobre os seus bens essenciais.


Magistério da Igreja e a Bioética

Os documentos da Igreja Católica querem ser sempre essa voz afirmativa e precisa, corajosa e misericordiosa, a favor do valor da vida humana e de sua inviolabilidade e, ao mesmo tempo, a voz apelatória dirigida, em nome de Deus, a todos e a cada um para que respeitem, defendam, amem e sirvam a vida, a cada vida humana.


- Ciência e Ética

Toda ação técnica sobre o mundo tem sempre o homem como protagonista ativo e passivo, sendo esse desempenho a razão que confere a tal ação caráter ético e, portanto, uma marca realmente humana. O domínio sobre o mundo visível continua sendo real e verdadeiro, mas não pode ser arbitrário, sem limites, absoluto: deve estar sempre medido pelo bem integral da pessoa.

- Homem – unidade – corpo – alma

O ser humano é uma realidade única, com uma singularidade irrepetível e em sua totalidade real. Existem nele diversas dimensões físicas e espirituais que permitem distinguir princípios constitutíveis – não justapostos – dessa única realidade, pessoa: a alma e o corpo, o espiritual e o biológico. O corpo é a pessoa em sua visibilidade.

- Corpo Humano – um bem e não um meio

A base biológica da individualidade da pessoa está em seu patrimônio genético. A concretização desse genoma pessoal acontece, no momento da concepção. Um bem tão precioso como é o corpo pessoal ou a corporeidade nunca deve ser relativizado e instrumentalizado, pois cada pessoa – a totalidade unificada, corpo e alma unidos substancialmente – é absolutamente valiosa, querida por si mesma, originada por uma criatura de Deus quanto à alma.

Vida Humana

Para se ter uma compreensão adequada do valor e do sentido da vida humana é preciso considerar a vida como um bem, embora ainda não no sentido pleno e definitivo: o ser humano vive em tensão fecunda para a plenitude a ser possuída.


Quando se menciona a inviolabilidade e a intangibilidade da vida humana, se quer afirmar e defender esse seu valor supremo, absoluto por ser dom de Deus, respeitável por não ter ainda chegado à sua plenitude e digno por ser excelente, entre todos os conceitos de vida vegetal e animal.


Fonte Bibliográfica: Questões de Bioética – Estudos da CNBB 98, 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Nota da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB acerca do programa Fantástico

Nós, membros da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, participando da reunião mensal ordinária do dia 02/08/10, a partir da reportagem exibida no domingo dia 01/08/10 pelo programa televisivo “Fantástico”, tratando das clínicas de aborto clandestino, vimos a público para exigir que se cumpra a lei (art...., art..., art.. do Código Penal Brasileiro) e a lei de soberania nacional e de “laesa pátria”:

- fechando as clínicas clandestinas de aborto, exibidas pelo citado

programa da rede Globo;

- punindo segundo a lei os proprietários das mesmas;

- punindo através dos órgãos competentes os médicos que

confessaram terem praticado abortos e os farmacêuticos

responsáveis pelas farmácias cujos balconistas venderam drogas

abortivas;

processando a própria rede Globo de televisão, caso não

colabore com as investigações judiciais, escondendo os

endereços das clínicas e os nomes das pessoas envolvidas no

crime do aborto.

A reportagem revelou o envolvimento de alguns policiais,

protegendo o crime ao invés de coibi-lo, a conivência do Conselho

Federal de Medicina que só em caso de reincidência pune o

médico que pratica aborto e do Conselho Federal de Farmácia

que permite a venda ilegal de drogas abortivas.

Coibir o crime e todas estas ilegalidades que faziam parte dos

objetivos da CPI do aborto, que não se conseguiu instalar nesta

legislatura por negligente desinteresse das lideranças partidárias

a começar do partido do governo, mas que solicitamos seja

instalada na próxima legislatura.

Quanto ao fato do aborto ser considerado uma questão de

saúde pública, esta prática, de fato, ceifa tantos seres humanos

ainda na vida intrauterina, que muito poderiam contribuir para o

futuro da sociedade, e sempre causa conseqüências psíquicas

indeléveis na mulher que a ela se submete. É falso, porém, como

faz a reportgem, apresentar o número de curetagem, realizadas

pelo SUS, como se fosse causado unicamente pelo aborto

clandestino, pois boa parte dessas intervenções são realizadas

em conseqüência de abortos espontâneos e também o número

de mulheres que já praticaram o aborto, como a reportagem

apresenta, é fruto de uma pesquisa muito discutível e de difícil

confirmação.

Seria de fato um descalabro para o nosso sistema de saúde

a legalização do aborto, pois as cirurgias abortivas desviariam

parte dos recursos, já tão escassos, que hoje são destinados para

os demais tratamentos. A urgência de se matar crianças, no seio

da mãe, alongaria ainda mais os tempos de diagnóstico e

tratamento de doentes graves, reduzindo-lhes chances de cura ou

a já curta expectativa de vida.